A Fertilizare nasceu com a proposta de ser um centro de referência em medicina reprodutiva na região Sul Fluminense. Conta com equipe qualificada e tecnologia de última geração para oferecer um leque completo de opções para o tratamento da infertilidade.

(24) 99246-4951

contato@fertilizare.com.br
Edifício Cecisa 2 - Largo 9 de abril, 27, sala 217 - Vila Santa Cecília, Volta Redonda

Novidades no Blog

Seg. a - Sex. 09h - 18h

Sáb. e Dom. - FECHADO

(24) 99246-4951

contato@fertilizare.com.br

A nova maternidade: da proveta ao transplante de útero

A nova maternidade: da proveta ao transplante de útero

Autônoma e blogueira Brunella Sobral, 34, não pensou duas vezes em doar algumas dezenas de óvulos excedentes para mulheres que, assim como ela, buscavam tratamento para gerar um bebê
Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

Em 1978, a medicina reprodutiva deu um salto importante na história do século 20 com a concepção apoiada na técnica de fertilização in vitro. Há 40 anos, nascia Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo, na Inglaterra, depois de nove anos da tentativa da mãe, Wesley Brown, de engravidar por métodos tradicionais. Esse capítulo abriu caminho para uma verdadeira revolução do gerar no século 21, onde a palavra “impossível” tem ficado cada vez para trás, amparada na ciência e, ainda mais, na solidariedade. A doação de gametas (óvulos e espermatozoides) e embriões, além de barrigas solidárias, têm transformado a maternidade do século 21 em um ato multiplicado de amor na diversidade das famílias.

Em um futuro não tão distante, o transplante uterino – que teve seu primeiro caso de sucesso no Brasil em 2017 – poderá ser a opção de tantas outras mulheres, sejam cis (pessoa que reivindica ser do mesmo gênero do nascimento) ou trans (pessoa que reivindica ser de gênero diferente do nascimento), que desejem carregar no próprio ventre uma vida. Como nem tudo são flores, polêmicas e tabus ainda precisam ser ultrapassados neste novo cenário. Neste fim de semana das mães, a Folha de Pernambuco aborda esses novos aspectos da maternidade.

A impossibilidade da prima em gestar um filho comoveu a representante comercial Maria José Barros, 35 anos, que revolveu emprestar a barriga para a parente realizar o sonho de ter filhos biológicos. Para alegria da família, vieram duas lindas meninas. As gêmeas nasceram faz uma semana. “Eu mesma que me ofereci. Não pensei em desistir em nenhum momento da proposta, pois queria muito ajudá-la a ter um filho. Foi uma gravidez muito tranquila e que nos aproximou ainda mais”, conta.

Maria José já havia ofertado o útero há alguns anos, mas o marido dela não aprovou a ideia. Com a separação, a representante comercial voltou a se disponibilizar para a prima. Para a gestação de substituição, foi utilizado o óvulo e espermatozoide do casal, o que garante a carga genética deles nas crianças. Se para os outros, a barriga solidária chegou a causar estranhamento, para os pais e prima tudo era muito simples. “No começo o povo ficava perguntando se eu ia mesmo entregar as meninas. Mas, eu respondia que elas não eram minhas”, relembra. Mãe biológica de uma menina de 11 anos, Maria acredita que a solidariedade ampliou os laços de afeto de todos. A prima que comemora pela primeira vez o Dia das Mães, neste domingo, preferiu não conversar sobre o assunto, por enquanto.

Assim como ela, outras mulheres que buscaram a gestação de substituição não quiseram falar com a reportagem. Tantas outras que foram abordadas sobre a realização de inseminação artificial ou tratamentos de infertilidade também preferiram o anonimato. “Muitas pacientes têm dificuldade em falar sobre isso porque é como se elas estivessem assumindo perante todos uma incapacidade. Como se isso fosse uma ‘falha’ delas. Ainda há uma dificuldade de aceitação de falar sobre o tema, inclusive porque há um sofrimento grande nessa jornada da gravidez”, comenta a ginecologista, obstetra e professora Juliana Schettini.

Esse é um desafio a ser vencido, principalmente porque cada vez mais mulheres têm enfrentado dificuldade para gestar da forma convencional. Ela exemplificou que, além das gestações postergadas para depois dos 35 anos ou 40 anos (o que pode gerar dificuldade gestacional), é grande o número de mulheres que perdem o útero jovens e também é alto o percentual daquelas que têm infertilidade por fator uterino.

“O fator uterino para não conseguir gestar afeta uma em cada 500 mulheres em idade reprodutiva. Isso é um volume enorme. É em torno de 1,5 milhão de mulheres no mundo com problemas no útero que não podem engravidar. Para essas, o caminho hoje é adotar, fazer barriga solidária ou se resignar”, diz.

Schettini destaca que o protagonismo da mulher diante do desejo da maternidade norteará as escolhas pessoais e médicas para esse gerar contemporâneo. “A maternidade é muito forte e não se restringe às mulheres que pariram seus filhos. Obrigatoriamente, a maternidade não é para aquela mulher que pariu. A maternidade é o amor. Ela se constrói no dia a dia com seu filho. Não precisa ter saído da sua barriga”, enfatiza.

Doação de óvulos

Fora os problemas uterinos que impedem o embrião de se fixar no útero, há outros, anteriores, que envolvem a produção de óvulos. Para esse público, estimulações ovarianas são tentadas para conseguir o gameta da própria mãe, para posterior fertilização. Quando essa estimulação não tem sucesso, doadoras entram em cena para ajudar. Entre as regras nacionais de reprodução assistida, que são conduzidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a doação não pode ter caráter lucrativo ou comercial e os doadores e receptores não devem conhecer as identidades uns dos outros.

A autônoma e blogueira Brunella Sobral, 34, não pensou duas vezes em doar algumas dezenas de óvulos excedentes para mulheres que, assim como ela, buscavam tratamento para gerar um bebê. Depois alguns anos tentando engravidar espontaneamente, Brunella partiu para a fertilização in vitro. No tratamento houve uma hiperestimulação da produção ovariana e, surpreendentemente, ela teve mais de 40 óvulos. “Eu fiquei quatro anos tentando engravidar. Fui de não ter nenhum óvulo a ter de repente 40. Como eu tive muitos e imaginei que não precisaria de todos, resolvi fazer a doação. Fiquei bem emocionada quando fui assinar a autorização e só consegui pensar que estaria ajudando a realizar o sonho de alguém como eu. E olha que eu ainda nem tinha engravidado ainda”, relembra.

O bebê dela, Rodrigo Sobral Veiga, hoje com 2 anos, chegou meses depois para a alegria da família. O gesto de doação gerou desconfiança entre amigos, parentes e seguidores da web. O principal questionamento era se ela imaginava estar entregando vários filhos pelo mundo. “Quando postei sobre a doação, muita gente veio falar sobre isso. Foi preciso explicar que ali não é um filho meu. É só um óvulo. E um filho não é só uma questão de DNA, mas um longo e único processo.”

A especialista em reprodução humana Gabriella Collier explicou que a doação de óvulos é um procedimento bem meticuloso na reprodução assistida. “Precisamos ter uma compatibilidade de características físicas e até tipo sanguíneo da doadora e receptora porque cabe a mulher que receberá a doação escolher ou não contar ao filho sobre o assunto”, comenta. Testagens genéticas do material da doadora para doenças cromossômicas e hereditárias também são realizadas. A médica comentou que o compartilhamento de custos do tratamento de reprodução através da doação de óvulos, modalidade conhecida como doação compartilhada de óvulos tem crescido bastante.

No laboratório Armínio Collier esses casos já são mais de 15% dos procedimentos. O compartilhamento funciona da seguinte forma: duas mulheres portadoras de problemas de reprodução compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros. Em geral,  uma doa parte dos óvulos excedentes e a outra (receptora) ajuda nos custos da medicação. Todo o processo é anônimo e intermediado pelas clínicas.

Transplante de útero

Em 2017, o Brasil entrou na lista dos poucos países no mundo (antes de nós só EUA e Turquia) a realizar um transplante uterino de uma paciente falecida para uma que nasceu sem o órgão, mas que alimentava o desejo de gerar. O procedimento experimental foi um sucesso e terminou com a chegada ao mundo de uma menina forte e saudável. O feito conduzido pelos especialistas da Universidade da São Paulo (USP) Dani Ejzenberg, Wellington Andraus, Edmund Baract e Luiz Augusto D’Albuquerque acendeu novas esperança uma parcela importante de mulheres, incluindo as trans.

Daniele Rosa, 29, integra essa nova discussão da maternidade diante da diversidade. “Imagina o quanto isso seria incrível para nós. Para mim seria uma realização. Essa cirurgia gera uma expectativa grande para a maternidade.” Dani, mulher trans, não só conseguiu a retificação do nome, mas do gênero na Justiça. Agora busca outra conquista: ser chamada de mãe. “Já pensei em adoção, mas o que realmente queria era ter um filho com minhas características físicas e que viesse de mim”, revela. Enquanto isso não se torna realidade, ela deposita o sentimento maternal nos sobrinhos.

 

Daniele Rosa, 29, mulher trans (acima): “Essa cirurgia gera uma expectativa grande para a maternidade”, disse sobre o transplante de útero para quem nasceu sem órgão – Foto: Brenda Alcântara/Folha de Pernambuco

 

“No momento, ainda não é viável o transplante para as mulheres trans. Porque existem algumas adaptações da técnica que precisam ser feitas e que até agora nunca foram realizadas. Também é preciso atestar que funcionam”, afirma o ginecologista e pesquisador da USP, Dani Ejzenberg. Segundo ele, como a biologia masculina ainda persiste na mulher trans o processo é mais complexo. “Primeiro, há uma diferença de formato da bacia. Segundo, a parte hormonal também é diferente o que exigiria novos protocolos. Terceiro, a gente não sabe se o mesmo esquema para evitar rejeição do órgão, que hoje usamos para a mulher, funcionaria para a mulher trans. Por isso, até o momento, não dispomos de tecnologia para poder fazer um transplante de útero para a pessoa que é biologicamente homem”, explica.

Os estudos autorizados no Brasil para a cirurgia são apenas para pacientes que nasceram originalmente do sexo feminino e que possuem uma condição congênita de ausência do útero. A pesquisa prevê três cirurgias desse tipo. A primeira já foi realizada e bem sucedida. Na segunda, houve complicações e o órgão teve que ser removido. A última está em vias de ocorrer. Ejzenberg comentou que a novidade terapêutica, apesar de animadora e com boas perspectivas de inclusão regular nos serviços de saúde, ainda é experimental.

Fonte: Folhape.com.br

Fertilizare

A Fertilizare nasceu com a proposta de ser um centro de referência em medicina reprodutiva na região Sul Fluminense. Conta com equipe qualificada e tecnologia de última geração para oferecer um leque completo de opções para o tratamento da infertilidade.

Sem comentários

Deixe seu comentário