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Fertilidade no “freezer”: congelamento de óvulos se populariza

Fertilidade no “freezer”: congelamento de óvulos se populariza

Como e por que o congelamento de óvulos virou tendência entre mulheres nascidas a partir da década de 1980. Spoiler: o principal motivo tem a ver com a falta de parceiros para colocar o projeto da maternidade em prática.

Era apenas uma consulta de rotina, mas a economista Débora Santos voltou para casa repensando a própria vida. A saúde estava ótima. Tanto que o ginecologista sugeriu que a paciente, então solteira e com 35 anos, congelasse seus óvulos: “As mulheres estão postergando a maternidade, só que as chances diminuem com a idade…”. Quem congelou foi ela, pasma com o que acabara de ouvir do médico. Até então, ela se sentia tão jovem e focada na carreira a ponto de nunca ter parado para pensar se desejava ou não ter filhos. “Demorei para aceitar que meu relógio biológico estava gritando e eu não poderia adiar muito mais essa decisão”, diz, aos 37, um dia após se submeter à coleta de 15 óvulos na clínica Mater Prime, em São Paulo. “Hoje não quero engravidar, mas talvez mude de ideia daqui a uns anos…”

Mudanças sociais das últimas décadas – como a ascensão feminina no mercado de trabalho, o aumento no número de divórcios e até a popularização dos procedimentos estéticos – fazem com que os 40 anos de hoje sejam equivalentes aos 20 da geração dos nossos avós. No entanto, embora as mulheres pareçam bem mais jovens do ponto de vista físico e comportamental, biologicamente seus óvulos seguem envelhecendo da mesma forma. E a idade com que muitas estão considerando engravidar atualmente coincide com a queda de sua capacidade reprodutiva. Diferentemente dos homens, que produzem centenas de milhões de novos espermatozoides depois de cada ejaculação, as mulheres nascem com os óvulos que terão por toda a vida.

“Como não há reposição, com o passar dos anos perde-se em quantidade e qualidade”, explica o ginecologista Selmo Geber, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Nos primeiros dias de vida, estima-se que um bebê do sexo feminino tenha 2 milhões de folículos (de onde saem os óvulos). Esse estoque cai para cerca de 500 mil já na puberdade. Pouco antes dos 50 anos, com a proximidade da menopausa, restam aproximadamente 2 mil. Não à toa, cada vez mais mulheres na faixa etária de Débora pagam para preservar sua fertilidade nos tanques de nitrogênio líquido das clínicas especializadas em reprodução humana.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não contabiliza os óvulos congelados no país, mas os números de quem comercializa o serviço dão pistas do crescimento. Na clínica Huntington Medicina Reprodutiva (SP), por exemplo, a demanda quase triplicou nos últimos cinco anos: saltou de 130 casos em 2014 para 357 em 2018. A realidade reflete uma tendência mundial, segundo a socióloga britânica Kylie Baldwin. Professora do Centro de Pesquisa em Reprodução da Universidade De Montfort, na Inglaterra, ela explica que, embora a tecnologia estivesse disponível há mais tempo, em geral não era muito bem-sucedida, devido a problemas no processo que causava danos ao material genético. Por volta de 2006, com o desenvolvimento da “vitrificação”, técnica criada por cientistas japoneses, a taxa de sobrevivência dos óvulos se aproximou de 95% – o que animou médicos e encorajou pacientes.

Outro empurrão aconteceu em 2014, quando a mídia repercutiu que empresas como Facebook e Apple financiariam o procedimento para suas funcionárias – com o objetivo de atrair e reter talentos femininos. Os custos com congelamento de óvulos no Brasil giram em torno de R$ 15 mil (medicação e coleta na clínica). Além disso, é preciso desembolsar cerca de R$ 1 mil por ano para armazená-los no laboratório. O Sistema Único de Saúde não cobre o procedimento. Então, quem está disposta a arcar com esse montante? “Dez anos atrás, a maioria nos procurava antes de um tratamento contra o câncer, como a quimioterapia, que ameaçaria sua fertilidade”, afirma Selmo Geber, da SBRA. Ou havia outra questão de saúde, como doença ovariana e risco de menopausa precoce. “Hoje, essas motivações ficam atrás de fatores sociais.”

Há uma crença popular de que as mulheres estão congelando óvulos porque dão prioridade à educação e à carreira em detrimento da maternidade. E, implicitamente, a sociedade ainda as culpa quando elas não conseguem conceber mais tarde. Mas, de acordo com uma pesquisa da Universidade Yale (EUA), divulgada em 2018, a principal razão está ligada à falta de um parceiro ou de um relacionamento estável. Entre as 150 entrevistadas, 85% estavam solteiras quando optaram pelo congelamento, e 15% estavam se relacionando com um homem que ainda não considerava a paternidade. Para a socióloga Kylie Baldwin (leia a entrevista ao lado), o comportamento masculino tem agido como obstáculo à fertilidade das mulheres.

PARA GANHAR TEMPO

A fisioterapeuta Isabelle Souza e o namorado estão juntos há dois anos, embora morem em estados diferentes. Desde o início, ela achou que tivesse encontrado alguém para construir uma família, mas a distância impôs um ritmo diferente e “as coisas não podiam ser atropeladas pelo relógio biológico”. A angústia piorou depois de seu aniversário de 38 anos, sua idade atual, quando ele deixou claro que filhos não estavam em seus planos por enquanto. Isabelle foi fazer terapia e procurou uma clínica de reprodução assistida. “Estou antecipando uma situação que pode acontecer com ele ou outra pessoa”, diz ela, que nunca cogitou uma produção independente. Para a fisioterapeuta, o congelamento “trouxe a possibilidade de seguir a vida com leveza”.

De acordo com um estudo publicado na revista acadêmica Human Fertility, a maioria das mulheres com óvulos congelados queria ganhar tempo e aliviar a pressão para encontrar um parceiro comprometido ou amadurecer a relação, além de evitar a chamada “paternidade desesperada”: se envolver com alguém apenas para realizar o desejo de ser mãe. Elas também tinham esperanças de conceber sem recorrer à própria amostra armazenada em laboratório. Mais ou menos como bancar um seguro contra acidentes de carro – torcemos para não precisar dele. O levantamento recente de um dos maiores centros de fertilidade da Europa, sediado na Bélgica, apontou que apenas 7,6% das pacientes que congelaram óvulos entre 2009 e 2017 já os “derreteram” na tentativa de engravidar. E somente um terço delas conseguiu.

QUALIDADE DOS ÓVULOS

A ginecologista Melissa Cavagnoli, da clínica Huntington (SP), explica que o sucesso da gravidez depende da idade dos óvulos e não da idade da mulher quando acontece a transferência do embrião. “O ideal é congelar antes dos 35 anos, quando a taxa de gravidez [na fertilização in vitro] gira em torno de 60%”, afirma. “Depois, os óvulos envelhecem rapidamente e, a partir dos 38 anos, os resultados são menos favoráveis.” Na prática, a paciente pode ter de se submeter a mais de uma coleta e existe o risco de os óvulos não terem a qualidade necessária.

A comerciante Tânia Lopes tinha 38 quando seguiu o conselho de uma amiga e congelou 12 óvulos após três ciclos de estimulação artificial na clínica Mãe (SP). “Queria ter filhos se casasse e, como não sabia quando encontraria alguém, fiz por precaução”, diz hoje, aos 45 anos, casada há quatro. Ela e o marido tentaram engravidar durante dois anos e meio antes de se submeterem a três rodadas de fertilização in vitro. Em outubro passado, foram implantados no útero de Tânia os dois únicos embriões saudáveis resultantes da amostra de óvulos congelados – um deles “vingou”. Durante a apuração desta reportagem, ela estava grávida de 25 semanas.

Não há limite superior de idade para recorrer à técnica, mas especialistas não recomendam congelar depois dos 45 anos. “A chance de engravidar a partir desses óvulos é próxima de zero”, afirma Selmo Geber, da SBRA. O tamanho da amostra disponível no futuro também é um fator determinante para o sucesso. “O número preconizado é de 15 a 20 óvulos para conceber um filho”, diz a ginecologista Juliana Hatty, da clínica Mater Prime (SP). “Mas a mulher pode conseguir mais com essa amostra – ou não obter nenhum”, diz. Em outras palavras, congelar óvulos pode acarretar desgastes físicos, emocionais e financeiros sem garantia de uma gravidez futura.

Após frustradas tentativas de engravidar naturalmente do marido aos 34 anos, a professora Letícia Teixeira descobriu que sua reserva ovariana já estava baixa. Passou por quatro fertilizações in vitro até que uma médica lhe sugeriu “acumular óvulos” antes de tentar novamente. Três estimulações hormonais renderam apenas nove óvulos maduros, que passaram cerca de oito meses congelados. Destes, quatro viraram embriões e apenas um sobreviveu. “Helena nasceu saudável, tem 5 anos e nunca tomou antibiótico”, diz Letícia. Especialista em reprodução humana, o ginecologista e obstetra Alfonso Massaguer, da Clínica Mãe (SP), afirma que a comunidade científica não encontrou malefícios em crianças nascidas de óvulos congelados: “As pesquisas demonstram que o congelamento é seguro quanto à coleta dos óvulos e à saúde das crianças”.

A legislação brasileira não define prazo máximo para o armazenamento dos óvulos. As pacientes também podem optar por descartar ou doar seu estoque. No primeiro caso, basta autorizar que sejam descongelados e não tratados para que eles se “percam”. Candidatas à ovodoação precisam atender a uma série de critérios, como ter congelado os óvulos antes dos 35 anos. O material não pode ser comercializado e é cedido de forma anônima para mulheres em tratamento de fertilização.

Especialistas alertam para a importância de informar sobre as limitações do sistema reprodutivo e abordar o planejamento familiar nas salas de aula e nos consultórios médicos. Nos Estados Unidos, clínicas que vendem o congelamento investem em campanhas publicitárias para arrebanhar clientes cada vez mais jovens, universitárias no auge de seus 20 e poucos anos, com frases como “Congele seu futuro” e “Óvulos não são um recurso renovável”. Apostam que os pais um dia irão presentear filhas adolescentes com o procedimento. Resta saber se assim os homens não adiem, ainda mais, a decisão sobre a paternidade…

 

Fonte: Revista Crescer

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