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Importação de sêmen dos EUA para o Brasil causa polêmica

Importação de sêmen dos EUA para o Brasil causa polêmica

Afinal, o que a preferência por doadores americanos brancos e de olhos azuis diz sobre nossa sociedade?

A notícia de que a maioria dos brasileiros que recorrem a bancos de sêmen nos Estados Unidos busca doadores brancos e de olhos azuis, publicada por um jornal americano no mês passado, chamou a atenção de especialistas e gerou muita discussão sobre racismo e eugenia. Em um país tão miscigenado como o nosso, afinal, por que se busca esse tipo de padrão lá fora? A seguir, mães, médicos e outros profissionais analisam a questão e refletem sobre o que pode estar por trás dela.

Entre 2011 e 2016, a importação de sêmen dos EUA para inseminações artificiais no Brasil cresceu 2.625%. Dados preliminares de 2017 já indicam que o crescimento segue. Mas o que mais chama a atenção nesses dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o perfil dos doadores escolhidos: 95% deles são brancos, 52% têm olhos azuis, 64% têm cabelos castanhos e 27% são louros.

Os números acenderam uma preocupação na médica paulista Hitomi Nakagawa. Inseminações de brasileiras com sêmen de americanos tendo essas características poderiam alterar a cara da nossa população? Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), ela participou de uma reunião em Brasília com representantes da Anvisa justamente para discutir o assunto.

— A conclusão foi que a entrada de amostras, mesmo que esteja crescendo muito, ainda é irrelevante para a massa da população brasileira — diz Hitomi.

A preferência estética, porém, sugere algo mais:

— Nossa cultura vê mais beleza em olhos claros. Pode haver aí um aspecto sociológico inconsciente.

Ao longo de seis anos, houve 1.090 importações de sêmen dos EUA para o Brasil. Enquanto isso, anualmente, 30 mil inseminações foram feitas com o “produto nacional”, e 3 milhões de brasileiras engravidam pelo método natural. Mas a polêmica em torno dos amostras, detonada por uma reportagem publicada em março no jornal americano “Washington Post”, não tem a ver com a quantidade. O que está em jogo aqui é, novamente, o perfil dessas importações.

O tribunal das redes sociais foi rápido na sentença, acusando médicos e possíveis mães e pais de eugenia e racismo. Especialistas em reprodução argumentam, porém, que o fenótipo procurado no exterior é apenas um reflexo do tipo de brasileiro que paga pelo serviço.

Beleza Americana

Nossas classes A e B, majoritariamente brancas por motivos que remontam a 500 anos, estariam simplesmente buscando o espelho. Já a opção pelos EUA viria de um conjunto de fatores. Aqui, os bancos de sêmen trabalham com doações, e as informações sobre os doadores são mínimas. Nos EUA, trata-se de uma relação de compra e venda, com amplo perfil sobre o fornecedor do produto, incluindo fotos (o que é proibido no Brasil), para escolhas mais precisas.

Nem tudo é tão simples. Surpreso com os tais 52% de olhos azuis nas escolhas dos brasileiros, o antropólogo Roberto DaMatta crê que há mais coisas por trás disso:

— Prevalece o padrão estético ocidental, disseminado pela mídia americana e mesmo pela publicidade brasileira, uma baita contradição num país mestiço como o nosso. Apesar dos avanços, o louro de olhos azuis é e vai continuar sendo a referência.

A Anvisa começou a monitorar esse tipo de importação em 2011. No mesmo ano, lançou um documento com procedimentos e regras sanitárias sobre o assunto. Em 2012, um dos maiores bancos de sêmen americanos, o Fairfax Cryoank, passa a ter um representante no Brasil. Hoje, é o que mais envia amostras de sêmen para cá — 73% do total nos últimos dois anos.

Além dos laços com clínicas brasileiras, contribui para a popularidade dos bancos americanos o tal detalhamento no histórico do doador. Ao contrário das escassas informações disponíveis sobre os brasileiros (leia mais abaixo), no caso dos americanos é possível saber detalhes da ficha médica, ter um perfil psicológico, ver fotos da infância e até mesmo ouvir a voz do dono do sêmen. Pelas leis dos EUA, os nascidos de inseminação têm até o direito de conhecer o doador ao completarem 18 anos.

“Fissura pelo bebê Johnson”

Casada com uma mulher, a designer B., que prefere não ser identificada, acaba de receber a amostra de sêmen de um doador americano louro e de olhos azuis. E jura que só fez essa escolha porque ela e sua mulher são louras de olhos claros.

— Faz parte do sonho da gravidez ter um filho com a nossa cara. Se uma de nós fosse negra, buscaríamos um doador negro, pardo. Mas sei de muito casal moreno de olho escuro que vai atrás de criança de olho claro. É a fissura pelo Bebê Johnson.

B. lembra que, durante a seleção, sentiu-se pouco à vontade em vários momentos.

— Eu falo que é como “brincar de Deus”. Havia um doador que a gente tinha adorado, mas o relatório dizia que oito parentes dele tinham morrido de câncer. Dispensamos. É uma seleção absolutamente artificial. Mas, se posso diminuir as chances de o meu filho ter câncer, vou fazer isso.

Já a advogada E. tenta pela quarta vez uma fertilização in vitro. Ela conta que uma de suas grandes preocupações foi escolher um doador que tivesse características como as dela e do marido, que são brancos, de cabelos e olhos castanhos.

— Quero um bebê no qual eu possa, de alguma forma, me reconhecer. Não quero um filho de “Caras” — diz.

Aos 38 anos, a moça afirma que só recorreu a um banco americano por recomendação do médico que a acompanha. Ele argumentava que as técnicas usadas lá garantiriam um “material de melhor qualidade”.

— Também achei as informações sobre o doador muito ricas. Recebi o histórico dele desde o tataravô. Isso nos deixa mais confiantes, não parece um tiro no escuro, como eu tenho a sensação de que é no Brasil, onde poucas informações são dadas.

Sensacionalismo ou Eugenia?

A médica Vera Brand, fundadora e diretora do maior banco de sêmen do Brasil, o Pro-Seed, rechaça que exista tentativa de eugenia por parte dos futuros pais e mães que escolhem doadores brancos nos EUA:

— Há sensacionalismo na forma como os dados são interpretados. Há prevalência de caucasianos nos EUA. Se a pessoa escolhe obter sêmen de lá, se depara com um banco repleto de doadores brancos, louros e de olhos azuis.

Alexandre Rodrigues, escritor e mestre em escrita criativa pela PUC-RS, pesquisa distopias. E recorda que, nessas narrativas sobre futuros imperfeitos, o controle da reprodução é frequente. Em “Admirável mundo novo”, a genética é usada para construir um “mundo perfeito”. Em “1984”, é preciso controlar as relações, “mas o sexo, no fim, liberta”.

— Vejo pontes desses dados da Anvisa com o filme “Gattaca”, em que tudo é melhor para aqueles considerados geneticamente mais saudáveis. Naquele mundo, é eugenia, com propósito claro. No Brasil, vai saber… Mas é impossível não pensar nisso na sociedade e no momento em que vivemos.

Uma amostra do Brasil

Vera Brand, diretora do Pro-Seed, diz que os doadores brasileiros são em sua maioria caucasianos, com pele entre branca e morena, estatura em torno de 1,75m, cabelo castanho, olhos castanhos e tipo sanguíneo A+. No Pro-Seed, por exemplo, há 28 doadores negros, de um total de 164 homens.

Como é a doação aqui?

Anônima e sem dinheiro em troca. Podem doar homens de 18 a 50 anos. O doador brasileiro assina um termo em que permite a doação e abre mão de direitos e responsabilidades sobre a criança. Quem compra o sêmen tem acesso a características principais, como cor de pele, cabelo e olhos, tipo sanguíneo, altura e peso.

E como é nos Estados Unidos?

Em geral, os doadores têm de 18 a 39 anos e são pagos. O processo é anônimo, o doador também não tem direito sobre a criança, mas ela pode conhecê-lo quando tiver 18 anos. Além das informações básicas sobre quem doa, relatórios trazem seu histórico médico e psicológico, hobby, profissão, religião, voz e fotos na infância.

“Doador parecia criança alegre”

Karina Bacchi, atriz e blogueira fitness, 41 anos

Na manhã de 8 de agosto de 2017, a atriz e blogueira fitness Karina Bacchi anunciou em sua conta no Instagram o nascimento de seu primeiro filho, resultado de uma “produção independente” via inseminação artificial. “Foram mais de 20 quilos somando eu e vc… mas isso nunca foi um peso… cada curva está eternizada nas imagens que registramos… e isso é o que importa”, escreveu a atriz na ocasião.

Após nove meses de fotos quase diárias nas redes sociais documentando a gestação, Enrico Bacchi veio à luz em Miami, Flórida — já com cidadania americana e conta oficial no Instagram. Enrico, que completa 8 meses amanhã, se tornou uma espécie de “baby influencer”, com 953 mil seguidores.

Ao mesmo tempo, Karina, 41 anos, virou uma porta-voz informal não somente da inseminação artificial, mas da importação de sêmen dos Estados Unidos. Ela defende o uso de bancos americanos não apenas pela abundância de informações sobre o doador, mas pela possibilidade de Enrico, um dia, poder conhecê-lo.

Que fatores fizeram você optar pelo processo de inseminação artificial?

A decisão foi tomada após uma série de acontecimentos. Tinha acabado de me separar de uma relação de muitos anos e também descobri a hidrossalpinge, que consiste em acúmulo de líquido nas trompas, e tive de retirá-las. Isso me impossibilitou ter filhos de forma natural. Me vi diante do risco de não realizar meu sonho, ser mãe, e isso me assustou e me alertou. Precisei fazer escolhas, com os pés no chão — mas em pouco tempo.

Por que decidiu importar uma amostra de sêmen dos Estados Unidos e não usar uma do Brasil?

Nos bancos brasileiros temos menos referências sobre os doadores, e como queria ter acesso a mais dados sobre o perfil do doador para que, um dia, o Enrico também tivesse esse acesso, acabei optando por um banco dos Estados Unidos.

Quais as características do doador americano você levou em conta?

O principal foco foi a criação, dados do perfil psicológico como um todo. O que eu mais me identifiquei foram os dados em que reconheci traços da minha personalidade. E o que mais me chamou atenção foi que nas fotos de infância do doador notei uma criança muito alegre, com um brilho especial. Queria algo além dos traços físicos.

Como você pensa em introduzir o tema da paternidade para Enrico?

Ele terá acesso a todas as informações sobre como foi gerado. Considero pai a figura que estiver ao meu lado exercendo esse papel com muito amor. Continuo desejando uma família completa, sonho com o casamento tradicional, véu e grinalda, papai, mamãe e quem sabe até um irmãozinho pro Enrico.

“Escolha azul foi escolha pessoal”

Maíra Griecco, arquiteta, 38 anos

Foram necessários cinco anos para a arquiteta paulistana Maíra Griecco tomar a decisão de realizar uma produção independente. Já aos 38, idade considerada limítrofe para uma inseminação artificial, ela fez duas importações de sêmen dos Estados Unidos. A primeira, no início do ano passado, não resultou em gravidez. Mas o sucesso veio com a segunda amostra, do mesmo doador.

Agora, Maíra está grávida de cinco meses de Catarina, sua primeira filha. As características físicas da bebê devem seguir às da mãe, com exceção de um aspecto: os olhos azuis, vindos do doador.

Por que, apesar de você ter olhos castanhos, escolheu um doador de olhos azuis?

Eu busquei características que fossem próximas às minhas e às dos meus familiares. O doador tem pele branca e cabelo castanho, como os meus. Mas eu também tenho muitos parentes com olhos azuis: minha avó, tios e primos. Então não vi problemas. Não seria espantoso se minha filha nascesse com olhos azuis mesmo sem compra de sêmen e inseminação. Foi uma escolha pessoal.

Alguns veem uma tentativa de “eugenia” nesse tipo de importação, que prioriza olhos claros, não característicos da população brasileira. Como você avalia isso?

Acho que, quando falam de eugenia, na verdade isso tem a ver com a classe econômica e social predominante das pessoas que em geral recorrem à compra de sêmen. Por serem pessoas de classe mais alta, elas são mais propensas a serem de fato brancas e terem olhos claros, ou terem olhos claros na família.

Quanto você pagou pelo processo?

Por cada importação, paguei R$ 3.800. E mais R$ 9 mil por cada inseminação. No total, foram quase R$ 26 mil. Não é todo mundo que pode pagar. É um serviço que, por mais que tenha barateado nos últimos anos, não está acessível para a maior parte da população.

Por que preferiu buscar um doador em um banco americano, e não um nacional?

Primeiro, pelo detalhamento sobre exames médicos e o histórico de doenças familiares do doador. Recebi um documento de 40 páginas que descrevia o histórico de saúde desde o tataravô do doador. Também recebi um extenso relatório psicológico. Os bancos nacionais enviam só informações básicas: cor da pele, do cabelo e do olho, tipo sanguíneo, altura e peso. Você sabe a cor do cabelo do doador, mas não sabe exatamente como é esse cabelo. Não conhece a personalidade dele e não tem ideia de como é a fisionomia dele.

Você viu a foto do doador?

Sim, de quando ele era criança. Isso fez muita diferença para mim. Eu me senti mais segura sobre o que eu estava comprando. Outro aspecto que me agradou foi a possibilidade de a criança conhecer o doador quando fizer 18 anos, se quiser. Acho legal dar essa opção à minha filha.

Fonte: O Globo

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